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A Essência da Natureza na Obra de Alberto Carneiro: Exposição Permanente em Santo Tirso
- 06 Fev, 2025
- Posted by Galeria Rastro
O Centro de Arte Alberto Carneiro, situado em Santo Tirso, apresenta uma exposição permanente composta por dez esculturas e cinquenta desenhos do renomado escultor português Alberto Carneiro, produzidos entre 1965 e 2015. Esta coleção oferece uma visão abrangente do universo artístico e filosófico do autor, evidenciando a sua profunda ligação entre a perceção da natureza e a experiência do corpo transformada em arte.
A exposição constitui um espaço privilegiado para reflexão, experimentação e conexão com a natureza, onde a fusão entre elementos vegetais e minerais dá origem a uma conceção artística que opera como um rito de passagem entre a primeira e a segunda natureza. Estes ritos são sustentados por ações estéticas que se metamorfoseiam em arte, ampliando a perceção cósmica que Alberto Carneiro tão eloquentemente expressou.
Nesta relação emerge a noção de “corpo subtil”, em harmonia com as coisas simples e em sintonia com a compreensão da natureza na sua essência elementar. Daí advém a importância crucial dos quatro elementos naturais na obra de Carneiro. Ao remeter-se a esta harmoniosa simplicidade, é possível aceder ao fluxo que emana através da arte, aquela que, após a árvore secar, encontra outros corpos pelos quais flui para novas vidas.
A exposição convida-nos a questionar: de que corpo e de que natureza se trata? Do corpo do artista, do visitante? Certamente, ambos se interligam através de um terceiro corpo – o corpo da obra, seja ele esculpido ou desenhado. O que os une é o que Alberto Carneiro denominou de “simbiose estética”, um conceito explorado pela emancipação da diferença. Esta simbiose é um terceiro elemento, ainda não pensado, nascido da poética do corpo na dimensão material do espaço. Assim se compreende a arte ecológica de Alberto Carneiro, numa sensibilidade profundamente imbuída pela natureza.
As esculturas expostas, compostas por troncos de árvores, vidro, ferro e bronze, estão diretamente conectadas com outras obras feitas de canas de milho, feno, vimes e ráfia, elementos provenientes da experiência rural portuguesa que influenciou a obra de Alberto Carneiro. Foi na sua proximidade com a terra que o artista descobriu o lugar de onde nunca saiu, embora tivesse de se afastar para o reconhecer: o jardim da casa materna, que foi o atelier da sua infância e a fonte do seu último fulgor criativo.
Esta exposição permanente no Centro de Arte Alberto Carneiro oferece uma oportunidade única para mergulhar na visão singular do artista, explorando a interseção entre arte, natureza e espiritualidade que caracteriza o seu legado.
