José Escada

Sem título
Serigrafia sobre papel
Dimensão da mancha: 25 x 33 cm
Dimensão com moldura: 48,5 x 56 cm

Nota: Serigrafia original de José Escada publicada na revista de artes plásticas n.6 do grupo KWY.
Entre 1958 e 1963, Lourdes Castro, René Bèrtholo, José Escada, Gonçalo Duarte, João Vieira, Costa Pinheiro, Jan Voss e Christo, editaram uma revista de carácter artesanal e experimental, onde a arte se mesclava com a crítica de arte e a poesia. Para além dos relevantes artistas do grupo KWY, estas publicações contaram com a participação de outros renomados artistas, como Arpad Szenes, Vieira da Silva, Mimmo Rotella, Corneille, Rafael Soto, Jean Tinguely, Alechinsky, Arman, António Saura, Erró e Jorge Martins.
Estas revistas do KWY são obras raras e valorizadas, muito procuradas em Portugal e no estrangeiro.

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Descrição

José Jorge da Silva Escada nasceu em Lisboa em 1934. Estudou na Escola António Arroio e, mais tarde, na Escola de Belas‑Artes de Lisboa. Durante esse período conviveu com artistas como René Bertholo, Gonçalo Duarte, Costa Pinheiro e Lourdes Castro. Além disso, integrou o ambiente criativo do Café Gelo, no Rossio, um dos centros mais activos da vanguarda artística lisboeta.

Primeiras obras e partida para Paris

Em 1958 realizou três murais de grande dimensão para o edifício da Câmara de Comércio de Bissau, considerado uma das obras arquitectónicas mais relevantes do período colonial na Guiné. No ano seguinte partiu para Paris com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Permaneceu na cidade até 1969 e, durante esse tempo, fundou o grupo KWY com vários artistas portugueses e internacionais. Nesse contexto desenvolveu um vocabulário plástico marcado pela abstração lírica, pela simetria das formas, pela cor e por uma dimensão espiritual associada ao Movimento de Renovação da Arte Religiosa.

Desenvolvimento artístico

A obra de Escada evoluiu num território de fronteira entre figuração e abstração. Trabalhou com desenhos de linhas orgânicas, contrastes cromáticos e pinturas‑objeto feitas com papéis recortados e dobrados. Criou também relevos espaciais, entre os quais se destaca Relevo espacial (1974), onde investigou as relações entre forma, corpo, luz e sombra.

A década de 1970

Durante os anos 1970 intensificou a representação de cordas e amarras. Essa fase revelou uma pintura de forte carga simbólica e política, que refletia tanto a sua experiência pessoal como o contexto de libertação do país após o 25 de Abril. Entre as obras mais marcantes desse período encontra‑se São Jerónimo (1978), onde a figura do santo surge como metáfora do corpo e da cidade de Lisboa.

Últimos anos e legado

Nos seus últimos anos aproximou‑se de uma pintura mais figurativa e autobiográfica. Passou a representar o espaço íntimo onde vivia e trabalhava, numa tentativa de fixar o que lhe era mais próximo enquanto a doença avançava. Morreu prematuramente em 1980, aos 46 anos. Apesar da carreira curta, deixou uma obra profundamente influente, celebrada em retrospectivas na Sociedade Nacional de Belas Artes e no Museu Calouste Gulbenkian. Foi distinguido, a título póstumo, com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Actualmente, os seus trabalhos encontram‑se representados em importantes colecções e museus nacionais e internacionais.